As imagens das carteiras entregues aos vereadores de Codó escancaram o que muitos contribuintes já suspeitavam: o dinheiro público foi usado para bancar um item de luxo que pouco — ou nada — tem a ver com as reais necessidades da população. O material, adquirido ao custo total de R$ 64.173,00, virou símbolo de desperdício, ostentação e prioridades invertidas dentro da Câmara Municipal.
As fotos, encaminhadas por um vereador ao jornalista Marco Silva, mostram uma carteira preta, de tamanho reduzido, com brasão da República e a identificação “Vereador”. Longe de impressionar pelo acabamento ou funcionalidade, o acessório gerou críticas até entre os próprios parlamentares. Segundo o vereador que fez o repasse das imagens, o chamado “kit” entregue continha apenas a carteira e um broche.
O mesmo parlamentar ironizou o tamanho do item. “Parece carteira infantil de tão pequena”, disparou. A crítica ganha ainda mais peso quando se lembra que cada unidade custou R$ 3.377,53 aos cofres públicos — valor suficiente para suprir demandas reais em áreas básicas ignoradas pelo Legislativo.
A compra foi oficializada por meio da Dispensa de Licitação nº 008/2026, publicada no Diário Oficial da Câmara Municipal de Codó no dia 2 de fevereiro. Curiosamente, as carteiras foram entregues já no dia seguinte, levantando questionamentos sobre a pressa na execução do contrato firmado com uma empresa localizada no interior da Bahia.

O gasto chama atenção não apenas pelo valor, mas pela natureza do objeto adquirido. Trata-se de um acessório pessoal, simbólico e absolutamente dispensável ao exercício do mandato parlamentar. Nada na carteira legisla, fiscaliza ou melhora a vida da população. Ainda assim, foi paga integralmente com dinheiro do contribuinte.
O contraste se torna ainda mais ofensivo quando se observa que cada vereador de Codó recebe cerca de R$ 11 mil mensais, além de 13º salário e férias remuneradas. Mesmo com salários considerados elevados para a realidade local, a Câmara optou por assumir o custo de um item de luxo, como se os cofres públicos fossem extensão do bolso dos parlamentares.
Em um município que figura entre os piores índices de desenvolvimento humano do país, a decisão soa menos como erro administrativo e mais como afronta direta à população. Enquanto faltam políticas públicas eficazes, sobram privilégios, símbolos vazios e gastos que atendem apenas ao conforto de quem já vive distante da realidade das ruas.

No fim, as imagens falam por si: uma carteira pequena, cara e polêmica, entregue às pressas, paga por quem mais sofre com a ausência do poder público. Um retrato fiel das prioridades do presidente da Câmara Municipal de Codó, Roberto Cobel.
FONTE: BLOG DO MARCO SILVA