MP-MA aciona na Justiça presidente da Câmara de Buriticupu e ex-secretária por suposto esquema de funcionários fantasmas

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) ingressou com uma ação na Justiça contra a presidente da Câmara de Vereadores de Buriticupu, Vanusa Ibiapino Sousa Fernandes; a ex-secretária municipal de Educação, Salma Sousa Torres; e a servidora pública Kelly Ibiapino Sousa, irmã da vereadora, por ato de improbidade administrativa.

A denúncia foi feita por meio da Ouvidoria do Ministério Público, que iniciou as investigações sobre o caso. Segundo o MP-MA, o prejuízo causado aos cofres públicos municipais com pagamentos indevidos chegou a R$ 238.969,91.

As investigações

De acordo com o Ministério Público, Vanusa Ibiapino recebeu remuneração pelo cargo de professora, com carga horária de 40 horas semanais, sem comprovação do efetivo exercício das funções. Ao mesmo tempo, ela ocupava o cargo de vereadora e exercia a função de presidente da Câmara Municipal de Buriticupu.

Segundo o promotor de Justiça Felipe Augusto Rotondo, da 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu, os registros de frequência de janeiro a outubro de 2025 apontavam 30 dias de presença em todos os meses, sem férias, licenças ou afastamentos de Vanusa.

Entretanto, a direção da escola e servidoras da unidade afirmaram que a vereadora não compareceu ao local durante o período, já que não há diários de classe, planos de aula ou documentos pedagógicos que comprovem suas atividades.

Já Kelly Ibiapino, irmã da vereadora, ocupava a função de gestora escolar geral, participando da cadeia de controle e validação dos resumos mensais de frequência de Vanusa Ibiapino.

A existência de documentos que atestam presença integral, em contraste com os relatos colhidos e a ausência de documentação pedagógica comprobatória, revelaria, em tese, a inserção de registros funcionais incompatíveis com a efetiva prestação das atividades.

Ainda segundo o MP-MA, a então secretária municipal de Educação, Salma Torres, teria contribuído para a manutenção da situação irregular ou formalizado a designação de Vanusa Ibiapino para a Busca Ativa Escolar.

Na Secretaria Municipal de Educação, embora tivessem folhas de ponto assinadas entre fevereiro e outubro de 2025, a coordenadora informou ao Ministério Público, que a vereadora não compareceu para exercer suas funções entre fevereiro e setembro daquele ano.

Nas investigações, a Plataforma Busca Ativa Escolar/Unicef também informou que o cadastramento de Vanusa Ibiapino só foi realizado em 25 de novembro de 2025 e que, mesmo após o cadastro, a servidora não alimentou o sistema, não inseriu dados, não cadastrou alertas, não realizou edições nem executou o fluxo operacional efetivo sob sua responsabilidade, permanecendo vinculada à plataforma apenas de forma nominal.

FONTE: G1 MARANHÃO

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