Investigado por investimentos no Banco Master, ex-presidente do Rioprevidência é preso

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso na tarde desta terça-feira (3) por agentes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A prisão ocorreu na Via Dutra, na região sul fluminense, nas proximidades do município de Resende, logo após Antunes desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), vindo de uma viagem aos Estados Unidos.

Antunes é investigado por supostas irregularidades na gestão do fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro e é um dos alvos da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF para apurar possíveis crimes envolvendo investimentos de alto risco realizados pelo Rioprevidência no Banco Master.

INVESTIMENTOS SOB SUSPEITA

Durante a gestão de Antunes e de outros dois ex-dirigentes, o Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.

Esses títulos são considerados de alto risco e não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

De acordo com a Polícia Federal, as aplicações — nove ao todo, realizadas entre 2023 e 2024 — colocaram em risco recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos estaduais.

ALERTAS IGNORADOS E VETO DO TCE-RJ

Os aportes já vinham sendo questionados há mais de um ano. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) analisava as operações e, em outubro de 2025, determinou a proibição de novos investimentos do Rioprevidência em títulos administrados pelo Banco Master.

Na ocasião, o TCE-RJ apontou indícios de gestão temerária e possível irresponsabilidade na condução dos recursos previdenciários. Mesmo diante dos alertas, as aplicações permaneceram no centro das decisões administrativas do fundo.

OPERAÇÃO BARCO DE PAPEL

Além de Deivis Marcon Antunes, também são investigados na Operação Barco de Papel o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que deixaram seus cargos após o avanço das apurações.

A Polícia Federal apura a possível prática de crimes como gestão fraudulenta, crimes contra o sistema financeiro nacional, desvio de recursos públicos, indução da administração pública a erro, fraude a investidores, associação criminosa e corrupção passiva.

As investigações indicam que Antunes já tinha conhecimento da possibilidade de se tornar alvo de uma operação policial.

Em meados de janeiro, ele passou a evitar sua residência no Rio de Janeiro e, no dia 15 do mesmo mês, deixou o país com destino aos Estados Unidos.

À época, o Rioprevidência informou, em nota, que o então presidente estaria em período de férias previamente programadas desde novembro de 2025.

Como a fase inicial da operação previa apenas mandados de busca e apreensão, Antunes não era considerado foragido até então.

LETRAS FINANCEIRAS E RISCO ELEVADO

Segundo informações do próprio Rioprevidência, as Letras Financeiras adquiridas foram emitidas entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos apenas para os anos de 2033 e 2034.

Tradicionalmente, esse tipo de investimento é destinado a investidores profissionais, justamente por envolver alto grau de risco.

Para os investigadores, a estratégia adotada é incompatível com a natureza previdenciária do fundo e pode ter exposto o patrimônio dos servidores estaduais a riscos excessivos.

A Polícia Federal apura se as decisões foram tomadas sem respaldo técnico adequado e em desacordo com a finalidade legal do instituto.

FONTE: PORTAL O INFORMANTE

OUTRAS NOTÍCIAS: