Três unidades licenciadas para operar com a marca “Posto Corinthians” estão registradas em endereços que pertencem a investigados pela Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto e considerada pela Polícia Federal a maior ofensiva já feita contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As informações constam em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e foram confirmadas pelo próprio clube em publicações oficiais.
O Sport Club Corinthians Paulista declarou que não administra diretamente os estabelecimentos. Segundo o clube, os postos funcionam por meio de uma empresa licenciada, que faz a intermediação com os proprietários.
A instituição informou que acompanha as investigações e poderá adotar medidas jurídicas, se forem constatadas irregularidades.
O Corinthians não é investigado na operação e mantém contrato de sublicenciamento válido até novembro de 2025.
Os três postos com a marca Corinthians funcionam na Zona Leste de São Paulo, todos classificados como bandeira branca (sem vínculo com distribuidoras). Eles aparecem oficialmente com outras razões sociais:
- Auto Posto Mega Líder Ltda – Avenida Líder, 2000 (Cidade Líder);
- Auto Posto Mega Líder 2 Sociedade Unipessoal Ltda – Avenida São Miguel, 6337 (Vila Norma);
- Auto Posto Rivelino Ltda – Avenida Padre Estanislau de Campos, 151 (Conjunto Habitacional Padre Manoel da Nóbrega).
O clube promoveu a inauguração das três unidades em seu site institucional entre 2021 e 2023 — e elas são, até o momento, os únicos postos oficialmente licenciados com a marca Corinthians.
De acordo com os registros oficiais, os postos estão associados a Luiz Ernesto Monegatto, Pedro Furtado Gouveia Neto e Himad Abdallah Mourad — todos alvos ou ligados a investigados pela Operação Carbono Oculto.
O posto Rivelino, na Avenida Padre Manoel, aparece na Receita Federal em nome de Pedro Furtado Gouveia Neto, enquanto na autorização da ANP consta o nome de Himad Abdallah Mourad.
Ambos são apontados pela investigação como integrantes do grupo chefiado por Mohamad Hussein Mourad, identificado pela Justiça como figura central do esquema de lavagem de dinheiro do PCC, responsável por movimentações que ultrapassam R$ 8,4 bilhões em quatro estados.
Segundo a decisão judicial que embasou a operação, Pedro Furtado Gouveia Neto atua como representante da empresa GGX Global, ligada às atividades administrativas do grupo de Mohamad.
Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão pessoal e veicular, mas não se manifestou até a publicação da reportagem.
Já Himad Abdallah Mourad, primo de Mohamad, é descrito pelos investigadores como um dos principais articuladores do esquema de lavagem, responsável por estruturar empresas e fundos para blindagem patrimonial.
Ele aparece como sócio em 103 postos de combustíveis conectados ao núcleo familiar e empresarial de Mohamad. A defesa de Himad não foi localizada.
Os outros dois postos — Mega Líder e Mega Líder 2 — estão associados ao empresário Luiz Ernesto Franco Monegatto, também alvo da operação.
A Justiça o relaciona a empresas de combustíveis e imóveis usados para lavar dinheiro do grupo criminoso. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão, e sua defesa não foi encontrada.
IRREGULARIDADES E DIVERGÊNCIAS
O posto Mega Líder apresenta uma inconsistência entre os cadastros oficiais: enquanto na Receita Federal consta como Auto Posto Mega Líder Ltda, na ANP o mesmo endereço aparece como Auto Posto Timão Ltda. — uma clara referência ao apelido do Corinthians.
A ANP informou que a divergência entre os registros caracteriza irregularidade e que as empresas serão notificadas para atualização dos dados. Caso o problema não seja corrigido, o órgão poderá abrir processo administrativo que pode levar à revogação da autorização de funcionamento.
O contrato do Auto Posto Timão foi assinado em 30 de abril de 2021, durante a gestão do então presidente Duilio Monteiro Alves. Possível infiltração do PCC no clube
Além da ligação com os postos de combustíveis, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apura uma possível infiltração do PCC em gestões anteriores do Corinthians, conforme revelou o portal ge.
Fontes próximas à investigação afirmam que o clube teria alugado imóveis pertencentes a um suposto integrante da facção, apontado pela Justiça como financiador de atividades criminosas. Esses imóveis, usados para hospedagem de jogadores, não fazem parte da Operação Carbono Oculto.
O MP-SP também identificou que o Corinthians mantém notas fiscais de abastecimento em postos vinculados a suspeitos de ligação com o PCC — entre eles, o Auto Posto Gold Star, localizado próximo ao Parque São Jorge, sede do clube.
FONTE: PORTAL O INFORMANTE