Um vídeo amplo e esclarecedor divulgado pelo deputado federal Nikolas Ferreira fala sobre essa bomba que explodiu nos últimos dias no STF e reúne informações da perícia feita pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o parlamentar, o material, que reúne 218 páginas, traz mensagens, contratos, encontros e outras informações envolvendo o banqueiro e pessoas ligadas ao ministro Alexandre de Moraes.

Entre os registros apresentados por Nikolas estão mensagens enviadas por Vorcaro a um contato identificado no aparelho como “Alexandre de Moraes, Brasília”. De acordo com o deputado, a Polícia Federal cruzou capturas de tela, arquivos temporários, horários e registros do WhatsApp e concluiu que o destinatário imediato das mensagens era aquele contato. A informação ganha relevância porque Moraes havia negado anteriormente ter recebido mensagens atribuídas ao banqueiro.
“Quando Alexandre de Moraes chama uma reportagem de ilação mentirosa e depois a perícia encontra os registros no telefone, quem fiscaliza a fake news do fiscal da fake news?”, questiona Nikolas.
O deputado também detalha contratos que, segundo as informações apresentadas no vídeo, somariam R$ 208 milhões e envolveriam o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Um dos contratos previa pagamentos de R$ 3 milhões mensais e outros dois chegariam a R$ 50 milhões cada. Em uma das versões analisadas, Alexandre de Moraes aparece como usuário responsável pela última modificação do documento.
O escritório confirmou que o ministro teve acesso ao contrato e afirmou que ele foi consultado para verificar possíveis impedimentos legais. Para Nikolas, a explicação não encerra as dúvidas sobre a relação entre o banqueiro e o entorno do ministro.
A perícia também teria encontrado mensagens relacionadas a pagamentos ao escritório e informações sobre participações em um jato Legacy 650 e em um helicóptero Airbus. Segundo o material citado pelo deputado, as cotas das aeronaves utilizadas por Viviane Barci teriam valor conjunto estimado em aproximadamente US$ 6,8 milhões.
As mensagens também tratam de dois cartões do Banco Master destinados aos filhos de Alexandre de Moraes. Segundo os registros apresentados por Nikolas, cada cartão teria limite de R$ 300 mil, totalizando R$ 600 mil. O escritório informou que os cartões não chegaram a ser utilizados.
As mensagens analisadas pela Polícia Federal também envolvem referências a “Andrei” e “Paulo”, nomes que, segundo a interpretação apresentada no relatório, fariam referência a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. Nikolas afirma que o material mostra um banqueiro sob pressão das investigações tentando manter contato com autoridades de alto escalão.
Uma das informações mais contundentes citadas pelo deputado envolve uma mensagem enviada por Vorcaro a Moraes pouco antes de sua prisão. Segundo Nikolas, o banqueiro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dias depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.
“Por que Daniel Vorcaro achava que podia pedir isso ao ministro do Supremo? Que relação é essa? Que ambiente de poder é esse?”, questiona o parlamentar.
Nikolas também critica Paulo Gonet depois que o procurador-geral da República pediu a nulidade da investigação conduzida pelo ministro André Mendonça. Segundo o deputado, Gonet e familiares aparecem diversas vezes no material extraído do celular de Vorcaro. Para Nikolas, o procurador deveria se afastar de qualquer análise relacionada aos fatos enquanto as circunstâncias são apuradas.
O deputado defende ainda o afastamento cautelar de Alexandre de Moraes e afirma ter assinado novos pedidos de impeachment contra o ministro. Também cobra do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a análise dos pedidos apresentados contra integrantes do Supremo.
Apesar das acusações apresentadas no vídeo, não há, até o momento, comprovação de que Moraes tenha cometido crime ou interferido ilegalmente nas investigações envolvendo o Banco Master. As mensagens, contratos e demais elementos citados precisam ser analisados pelas autoridades competentes, com direito de defesa aos envolvidos.
Para Nikolas, porém, a quantidade de informações reunidas pela Polícia Federal exige explicações públicas. “Durante anos, o senhor exigiu explicações de todo mundo. Jornalista, deputado, empresário, manifestante. Pois bem, agora é a sua vez”, afirmou, dirigindo-se a Moraes.