Planalto, aliados de Lula e ala do STF negociam preservar Moraes até depois da eleição

O Palácio do Planalto, políticos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) estariam articulando uma estratégia para preservar o ministro Alexandre de Moraes de uma investigação sobre suspeitas envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Moraes, atual vice-presidente do STF, passou a enfrentar maior pressão depois que vieram a público mensagens enviadas por Vorcaro ao celular do ministro.

O conteúdo das mensagens foi tornado público pelo ministro André Mendonça no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. As respostas atribuídas a Moraes não aparecem no material divulgado.

A crise abriu uma disputa interna no Supremo. De um lado, estão ministros como Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e o próprio Moraes.

Do outro, aparecem André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux. A ministra Cármen Lúcia transita entre os dois grupos, enquanto Dias Toffoli declarou-se impedido de atuar no caso Master.

O principal objetivo do grupo ligado a Moraes seria impedir que a crise altere a correlação de forças dentro da Corte e, principalmente, evitar que o ministro seja formalmente submetido a uma investigação capaz de ampliar sua fragilização política e institucional.

PRESSÃO SOBRE FACHIN

O presidente do STF, Edson Fachin, tornou-se peça central da crise. Caso autorize o avanço de investigações sobre a conduta de Moraes, o ministro poderá sofrer um desgaste ainda maior dentro e fora da Corte.

Em discurso no Palácio do Planalto, na sexta-feira, 4, Fachin afirmou que haverá uma resposta “firme” para a situação envolvendo o Supremo. Também mencionou a necessidade de encerrar a longa tramitação do inquérito das fake news, relatado por Moraes.

Apesar do discurso, as decisões relacionadas aos casos foram postergadas. No caso das investigações sobre Moraes, as manifestações de envolvidos e autoridades têm prazo até 11 de setembro. A decisão, portanto, deverá ocorrer somente depois de 14 de setembro.

Já a discussão sobre a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news poderá avançar para depois de 22 de setembro, em razão dos prazos concedidos à Procuradoria-Geral da República e ao próprio ministro.

O adiamento dos dois casos alimenta a avaliação de que setores do Supremo estariam tentando ganhar tempo antes de tomar decisões capazes de aprofundar a crise.

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