O policial civil do estado do Piauí, que exerce o cargo de perito médico, foi indiciado pela Polícia Civil do Maranhão pelos crimes de roubo majorado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, §2º-A, inciso I, do Código Penal) e ameaça (art. 147 do CP). A conclusão consta no relatório final de inquérito policial, instaurado após uma série de episódios ocorridos em 19 de novembro de 2025, em Codó (MA), que terminaram se tornando amplamente conhecidos após a divulgação de vídeos gravados dentro e fora da delegacia.
Segundo as apurações, o caso teve início quando duas vítimas — um advogado e um funcionário de um cartório — se dirigiram à Praça São Sebastião para colher a assinatura de uma mulher em uma escritura. No momento em que deixavam o local, o perito médico e sua atual companheira se aproximaram exigindo ver o documento. Os dois homens seguiram caminhando, quando, conforme o inquérito, o policial sacou uma pistola Glock 9mm, apontou a arma em direção ao grupo e deu voz de prisão alegando descumprimento de medida protetiva. Em seguida, dirigiu-se ao funcionário do cartório e ordenou que ele entregasse a documentação, ato que a vítima cumpriu por estar sob mira da arma.
Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil relataram que a abordagem ocorreu de forma abrupta e que a discussão ganhou intensidade rapidamente, com o policial mantendo a arma empunhada durante toda a situação. A Delegacia Especial da Mulher, também envolvida na análise dos fatos, concluiu que não houve descumprimento de medida protetiva por parte do ex-marido da companheira do investigado, reforçando que a iniciativa da abordagem partiu do próprio policial.
Ainda segundo o inquérito, após a intervenção na praça, as partes se dirigiram à delegacia de Codó. Imagens gravadas no interior do prédio mostram o momento em que o perito médico volta a sacar a arma e direcionar ameaças a três pessoas, afirmando que “todos iriam tomar”. Uma das vítimas representou formalmente pelas ameaças sofridas, enquanto outras relataram terem experimentado forte abalo emocional diante da conduta.
Nos dias seguintes, o policial civil teria publicado, em suas redes sociais, vídeos e frases consideradas intimidatórias, com menções como “o mundo do crime é cadeia ou caixão” e referências à possibilidade de matar supostos inimigos. Para uma das vítimas, tais declarações reforçaram o temor e motivaram a representação criminal pelo crime de ameaça. Essas postagens foram juntadas ao inquérito pela equipe da Polícia Civil.
Com base no conjunto probatório, o delegado responsável concluiu pela existência de materialidade e indícios suficientes de autoria tanto para o crime de roubo majorado, devido ao emprego de arma de fogo durante a subtração do documento, quanto para o crime de ameaça, praticado em múltiplas ocasiões. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que deverá oferer denúncia contra o médico.
FONTE: BLOG MARCO SILVA