A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira (27) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As investigações apontam que os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024.
A operação desta quarta-feira tem como foco a atuação de três núcleos regionais suspeitos de participação nas fraudes. Ao todo, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico, incluindo uso de tornozeleiras eletrônicas, e bloqueios patrimoniais autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
As ações ocorrem no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba. Em Brasília, os investigadores miram as associações UNIBAP e ABENPREV. Já em São Paulo, nove mandados são cumpridos contra entidades suspeitas de participação no esquema.
Entre as associações investigadas estão a Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Master Prev, Associação de Apoio Social e Assistência ao Próximo Saúde (AASAP) e Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDAPP).
Segundo as investigações, o grupo realizava descontos mensais diretamente nos benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas sem autorização das vítimas. Os valores eram debitados como se os beneficiários fossem associados das entidades, mesmo sem terem aderido ou autorizado qualquer cobrança.
A nova fase da operação também mira servidores e ex-servidores do INSS suspeitos de facilitar o funcionamento do esquema fraudulento. Em Pernambuco, os investigadores concentram parte das ações contra integrantes ligados à estrutura administrativa do instituto.
Entre os investigados apontados pela PF estão Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho, citados como articuladores ligados à gestão das associações investigadas. Também aparecem nas apurações Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber e Alexandre Caetano, apontados como operadores financeiros e integrantes da estrutura operacional do grupo.
A investigação ainda envolve Américo Monte Júnior, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, além de Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do INSS e da Superintendência Regional do Nordeste. Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns, também é alvo das medidas judiciais.
De acordo com a Polícia Federal, o objetivo da operação é aprofundar as apurações sobre crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção e ocultação de patrimônio.
A Operação Sem Desconto teve sua primeira fase deflagrada em abril deste ano, quando vieram à tona as suspeitas de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas em todo o país. Desde então, empresários, dirigentes de associações, ex-integrantes do INSS e políticos passaram a ser investigados.
Entre os nomes já atingidos anteriormente pela investigação estão os deputados federais Euclydes Pettersen e Gorete Pereira, além do senador Weverton Rocha. Todos negam envolvimento em irregularidades.
A investigação segue em andamento e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades.
FONTE: PORTAL O INFORMANTE