O governo dos Estados Unidos voltou a discutir a possibilidade de aplicar novas sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após recentes operações autorizadas pelo magistrado contra um jornalista e um ex-secretário de Estado do Maranhão. A informação foi divulgada pelo jornal britânico Financial Times.
Segundo a publicação, autoridades do governo do presidente Donald Trump passaram a reconsiderar medidas contra Moraes em razão de decisões recentes do ministro, que, na avaliação de integrantes da administração norte-americana ouvidos sob reserva, poderiam representar violações à liberdade de imprensa.
Moraes já havia sido alvo de sanções dos Estados Unidos em 2025, quando foi incluído na Lei Magnitsky, mecanismo utilizado pelo governo norte-americano contra pessoas acusadas de envolvimento em graves violações de direitos humanos ou atos de corrupção.
As medidas também atingiram familiares do ministro e o escritório de advocacia administrado por sua esposa, em meio às ações relacionadas à investigação sobre a tentativa de golpe de Estado que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Posteriormente, as sanções contra Moraes foram retiradas, em um contexto de aproximação entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com o Financial Times, porém, a relação entre os dois governos se deteriorou, e decisões recentes do ministro voltaram a provocar discussões dentro da administração norte-americana.
OPERAÇÕES NO MARANHÃO
Entre os episódios citados pelo jornal estão as medidas determinadas por Moraes contra o jornalista Luís Pablo, responsável por reportagens relacionadas ao uso de veículos oficiais pelo ministro Flávio Dino e por familiares dele no Maranhão.
Ao longo da semana, Moraes também autorizou mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de Estado do Maranhão Raimundo Cutrim.
Segundo informações divulgadas anteriormente, a Polícia Federal identificou que, desde novembro de 2025, Luís Pablo vinha publicando conteúdos com fotografias e dados de um veículo funcional utilizado por Dino.
O jornalista também afirmou que o automóvel, oficialmente pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), estaria sendo utilizado por familiares do ministro do STF.
As investigações e as medidas judiciais determinadas por Moraes passaram a ser acompanhadas pelo governo norte-americano, que, segundo o Financial Times, avalia se as ações representam uma restrição indevida à liberdade de imprensa.