A Polícia Civil do Maranhão deflagrou, nesta quarta-feira (14), a Operação Quíron, para investigar suspeitas de crimes contra a administração pública nos municípios de Grajaú e Barra do Corda. A ação, coordenada pela Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (SECCOR), resultou no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão, no afastamento de um delegado de Polícia Civil e em uma prisão em flagrante.
A investigação apura possíveis práticas de peculato, concussão, fraude processual, falsidade ideológica e associação criminosa. As diligências contaram com o apoio do Grupo de Resposta Tática (GRT), da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC).
O inquérito policial foi instaurado pela SECCOR após requisição do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público do Maranhão, que recebeu a denúncia sobre os fatos investigados.
As medidas judiciais foram autorizadas pela juíza Bruna Fernanda Oliveira da Costa, titular da 2ª Vara da Comarca de Grajaú e juíza das garantias da 3ª Vara da mesma comarca.
Os mandados tiveram como alvos cinco investigados, entre eles o delegado Cleosnaldo Brito Sirqueira Júnior, conhecido como Brito Júnior.
Em Barra do Corda, as equipes realizaram buscas na Delegacia Regional e na residência do delegado investigado. Já em Grajaú, as diligências ocorreram na delegacia e em um sítio pertencente ao pai do policial civil, onde foi localizada uma arma de fogo acompanhada de munições.
Durante a operação, também foram apreendidos aparelhos celulares e computadores, que serão analisados no decorrer das investigações.
O delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros, destacou que a apuração demonstra o compromisso da instituição com a legalidade e a responsabilização de eventuais condutas criminosas, independentemente do cargo ocupado pelos investigados.
“A Polícia Civil tem o dever de investigar qualquer suspeita de crime, inclusive quando envolve integrantes da própria instituição. Não existe compromisso com irregularidades ou proteção a condutas incompatíveis com a função policial. Nosso compromisso é com a lei, com a sociedade e com os profissionais que exercem suas funções com responsabilidade e integridade. As investigações seguirão com rigor técnico e respeito ao devido processo legal”, afirmou o delegado-geral.
Por determinação judicial, o delegado Brito Júnior foi afastado do exercício de suas funções pelo prazo de 90 dias. A decisão também determinou o recolhimento de sua arma de fogo e estabeleceu a proibição de aproximação da delegacia e dos investigados.
Para assegurar a continuidade dos serviços policiais, o delegado Eduardo Galvão, titular do 1º Distrito Policial de Barra do Corda, responderá interinamente pela Delegacia Regional durante o período de afastamento.
Ainda durante as diligências, Charles Aminde Silveira dos Santos, que trabalha como caseiro no sítio da família do delegado, foi preso em flagrante por suspeita de porte ilegal de arma de fogo.
Delegado contesta medidas – Brito Júnior contestou a condução do caso e declarou que tenta obter acesso aos autos da investigação, mas que o pedido apresentado foi negado. O delegado também sustenta que houve cerceamento do seu direito de defesa.
A denúncia que deu origem ao procedimento foi encaminhada ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, que solicitou a instauração da investigação.
Com o afastamento do titular, o delegado Eduardo Galvão, responsável pelo 1º Distrito Policial de Barra do Corda, responderá interinamente pela Delegacia Regional durante o período determinado.