Entenda suposto esquema com facções que motivou prisão de dez advogados na Bahia

A operação que prendeu dez advogadose cumpriu mandados de prisão contra 12 detentos, nesta sexta-feira (3), na Bahia, investiga a atuação de grupos envolvidos em diversos crimes ocorridos no estado.

Entre as ações listadas, estão tráfico de drogas, aquisição, circulação, posse e guarda de armas de fogo de facções, além da articulação criminosa entre integrantes presos e agentes em liberdade.

Batizada de Operação Sintonia de Gravata, a ação cumpriu ainda 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, com diligências nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras.

Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos diversos que poderão contribuir para o aprofundamento das investigações e para a identificação da eventual participação de outros envolvidos.

Conforme a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), foi determinada também a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados, até o limite mínimo de R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, bens imóveis, embarcações e aeronaves dos investigados, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos vinculados às atividades ilícitas.

Sofisticado esquema de comunicação clandestina

Segundo os promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as investigações identificaram a atuação de facções criminosas estruturadas e com atuação regional, responsáveis pela prática de tráfico ilícito de entorpecentes, circulação de armas de fogo e articulação entre grupos criminosos, com reflexos diretos na segurança pública baiana.

Ainda de acordo com os promotores, os elementos reunidos indicam que essas organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina que permitia a continuidade das atividades criminosas mesmo com chefes custodiados em unidade prisional de segurança máxima, por meio de um núcleo externo responsável por intermediar a transmissão de ordens entre integrantes presos e membros em liberdade.

A investigação também detalhou a atuação dos advogados que, mediante abuso das prerrogativas da classe, teriam burlado o isolamento e incomunicabilidade com o meio externo imposto em presídio de segurança máxima, para viabilizar a gestão de facções criminosas por seus chefes presos, que também foram alvos das medidas.

Segundo as apurações, esses profissionais exerciam papel estratégico na transmissão de mensagens, na consolidação de decisões e no acompanhamento das atividades criminosas.

A SSP-BA ainda detalhou que o fluxo de comunicação permitia aos chefes das facções, mesmo presos, participar da gestão do tráfico de drogas, da comercialização de entorpecentes, da aquisição e circulação de armas de fogo, da movimentação de recursos financeiros e da resolução de conflitos internos, evidenciando uma estrutura organizada, hierarquizada e dividida por funções.

O grupo conseguiu contornar mecanismos de isolamento previstos no sistema prisional, mantendo ativa uma rede de transmissão de ordens que contribuiu para a continuidade das práticas criminosas e para o fortalecimento dessas organizações.

FONTE: G1 BAHIA

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