Indicado por Flávio Bolsonaro volta a ser preso pela PF por suspeita de ligação com o CV

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, 9, a Operação Anomalia, que apura a atuação de um grupo suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para beneficiar interesses ligados ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Entre os alvos está o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, que foi indicado ao cargo pelo senador Flávio Bolsonaro

Carracena foi alvo de uma nova ordem de prisão preventiva, apesar de já estar detido por outra acusação relacionada ao mesmo caso. A investigação aponta que o grupo teria estruturado uma associação criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública e ao favorecimento de interesses do Comando Vermelho.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal e incluem quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro, além de medidas cautelares como afastamento de funções públicas. Entre os presos está também o delegado federal Fabrizio José Romano.

Indicação ao governo do Rio

Carracena ocupou a Secretaria de Esportes durante o governo de Cláudio Castro. Segundo informações da investigação, ele foi indicado para o cargo pelo senador Flávio Bolsonaro.

No entanto, o atual secretário estadual de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, aliado político do senador, afirma que a indicação partiu dele próprio e que o parlamentar não teve participação na escolha.

Em nota, Fonseca declarou que a indicação foi feita com base em critérios técnicos, destacando a formação jurídica de Carracena. Ele também informou que o ex-secretário foi exonerado do cargo em janeiro de 2025, antes de qualquer investigação vir a público.

Mensagens interceptadas

As apurações da PF também analisam mensagens obtidas em outra investigação, a Operação Zargun, que indicariam tentativas de integrantes do Comando Vermelho de influenciar decisões sobre policiamento no estado.

Em um dos diálogos, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão” e apontado pela polícia como integrante da facção, relatou a Carracena que havia se encontrado com Gutemberg Fonseca para apresentar demandas e buscar “cobertura política”.

Fonseca afirmou que só tomou conhecimento das mensagens pela imprensa e disse desconhecer qualquer vínculo com o investigado, ressaltando que eventuais contatos teriam ocorrido apenas em eventos públicos.

Operação mira conexões entre crime e agentes públicos

A Operação Anomalia faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para intensificar o combate às principais organizações criminosas do Rio de Janeiro e investigar possíveis conexões entre facções e agentes públicos.

Segundo a Polícia Federal, as evidências reunidas até agora indicam que os investigados atuavam para intermediar favores e decisões administrativas que poderiam beneficiar interesses ligados ao tráfico internacional de drogas.

FONTE: PORTAL O INFORMANTE

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